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Homilia do Padre Diogo Barata

Querida Família de Schoenstatt:

A primeira parte do evangelho de hoje expressa bem o que estamos a viver neste Jubileu: “Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor” (Jo 21, 12). Também nós sabemos que é o Senhor quem esta vivo e presente no meio de nós. A nossa alegria e unidade são o sinal vivo da presença de Cristo Ressuscitado no meio da nossa Família de Schoenstatt.

Ao longo destes 50 anos fizemos muitas vezes a experiência de ir pescar e não apanhar nada tal como se relata no evangelho: “Vou pescar” - disse Pedro - e os outros que estavam com ele responderam: “Nós vamos contigo”, “mas naquela noite não apanharam nada” (cfr. Jo, 21, 3).

Também fizemos muitas vezes a experiência da pesca abundante: ”Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis. Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância dos peixes” (Jo 21, 6).

Quer nas noites de pesca fracassada, quer nas madrugadas de encontro com o Ressuscitado que nos levaram a uma pesca milagrosa, nós sabemos hoje, 50 anos depois, que é o Senhor quem está connosco e no meio de nós! Ele está sempre na margem das nossas vidas, a acompanhar-nos e a incentivar-nos ao salto de fé e de confiança!

Schoenstatt é hoje em Portugal uma Família consolidada, com alicerces profundos e firmes. E já podemos começar a vislumbrar a grandeza do edifício que se começou a construir há 50 anos!

Celebramos hoje 50 anos de existência de uma Família, da nossa Família. Por isso, quero expressar em nome de todos, uma palavra à Mãe, outra ao Pai e por fim aos irmãos que somos todos nós!

1 - Uma palavra de gratidão à Mãe desta Família!

Podemos dizer com profunda gratidão e orgulho que tudo começou no Coração Imaculado de Maria!

Schoenstatt começou em 1914 e as aparições de Fátima foram em 1917. Duas irrupções de Deus no meio da história, separadas apenas por três anos. No coração de Nossa Senhora não se pode separar Schoenstatt e Fátima. Aquela que se estabeleceu desde 1914 no Santuário de Schoenstatt, é a mesma que apareceu aqui em 1917!

Certamente Nossa Senhora, sempre esperou e sonhou no seu coração de Mãe com o começo de Schoenstatt no nosso país; porque através desta Família portuguesa, Ela pode fazer confluir numa só, estas duas correntes de vida e graça que vivem no seu coração desde o início do século passado!

A Ela lhe devemos tudo o que somos e temos, a Ela lhe agradecemos por nos ter escolhido a cada um pessoalmente, para selar uma Aliança de Amor!!!

2 - Agora uma palavra de gratidão ao Pai da nossa Família de Schoenstatt.

Tudo começou no coração de Maria, mas podemos dizer também que tudo continuou no coração do nosso Pai Fundador!

Já em 1944, quando Pe. José Kentenich estava preso no Campo de Concentração de Dachau, escreveu um pequeno estudo sobre o Paralelo Schoenstatt-Fátima. Mas foi ao pisar a nossa terra, por duas vezes em 1947 que ele manifestou contundentemente a sua vontade de fundar Schoenstatt aqui, nesta terra de Santa Maria.

Há países no mundo de Schoenstatt, sobretudo na América do Sul, que tiveram a sorte de receber o Fundador muitas vezes e têm até muitos textos que são fruto das conferências feitas nesses lugares. Nós não temos os textos, mas temos a certeza da vontade expressa do Fundador.

Ele via em Portugal um ponto nevrálgico na geoestratégia de Nossa Senhora para a Europa. Por isso insistiu nas duas passagens de 1947 com o Pe. Helmle para que fundasse o Movimento de Schoenstatt em Portugal. A este sacerdote Pallottino devemos muito, já que todos os primeiros portugueses tiveram um contacto directo com ele e é através dele que entram em contacto com Schoenstatt.

Agradecemos-lhe e alegremo-nos com ele, que no céu festejará unido a nós estes 50 anos, junto de todos os irmãos de Aliança que já partiram.

A presença do Símbolo do Pai entre nós é um convite às gerações de todos os tempos a renovar a nossa fé no Sonho do PK para a nossa terra. Hoje podemos dizer-lhe:

“Pai,
o meu coração no teu coração
o meu pensamento no teu pensamento
a minha mão na tua mão”

3 - Umas palavras ainda aos filhos desta Família, a todos nós que somos irmãos uns dos outros e filhos da mesma Mãe e do mesmo Pai.

Somos uma família com muitos irmãos. Há os primeiros - os fundadores - , os do meio e os de agora; e os que hão-de vir no futuro e que serão muitos…

Aos primeiros, à geração fundadora quero agradecer em nome de todos. Não vou nomear nenhum em particular, mas podemos simbolizar e representar no Pe. Miguel Lencastre e no Pe. Jaime Fernandez que estão aqui no altar, a geração fundadora de Schoenstatt em Portugal.

Queremos agradecer aos primeiros a vossa fé, a vossa fé louca naquilo que não se via e o vosso Sim generoso para colaborar nesta Obra de Deus.

Foram tantas e tão grandes as dificuldades dos inícios, que fizeram o Pe. Kentenich afirmar que Nossa Senhora queria construir um grande edifício em Portugal, se pedia tantos sacrifícios à geração fundadora.

Parte dessas provações vieram de fora da Família, mas boa parte delas foram provações internas: desentendimentos e mal entendidos entre irmãos de uma mesma Família. Tudo isso foi o capital de graças de fundação, os fundamentos, os alicerces sólidos sobre os quais hoje se ergue Schoenstatt em Portugal. Há muito capital de graças, muita entrega escondida e muita dor também. A fecundidade que experimentamos nos dias de hoje deve-se sobretudo ao capital de graças da geração fundadora. Podemos simbolizar este capital de graças numa pessoa dos primeiros tempos, que a maioria dos que estão aqui não conhece: a Leninha Gil!

Desde há muitos anos oferece silenciosamente a sua doença por esta Família e a fecundidade que hoje experimentamos deve-se ao seu capital de graças e o de muitos outros que de uma forma escondida se entregam por todos nós.

Queremos agradecer aos primeiros a vossa fidelidade heróica que hoje nos permite estar aqui. Só no Céu saberemos quanto dependemos uns dos outros, quanto dependemos do Sim e da fidelidade dos que nos precedem.

Mas queremos agradecer também às gerações do meio e aos que foram chegando até agora! Cada um de nós, com o seu Sim e a sua fidelidade criadora e heróica vai dando forma à nossa Família. Schoenstatt é hoje na Igreja um movimento ainda pequeno, mas onde reina a alegria, a esperança e a vida. Esta experiência faz-nos acreditar que podemos e devemos crescer e desenvolver-nos muito mais ainda!

4 - É por isso que gostava de terminar com um olhar para o futuro …

Está aqui entre nós a imagem da Mãe Peregrina Auxiliar para a Europa. Preparamo-nos para coroa-la em 2012 como “Rainha da Nova Evangelização da Europa”. Entretanto esta imagem percorre os países da Europa para revitalizar e renovar a campanha da Mãe Peregrina em cada país.

A sua presença aqui é um símbolo da nossa Missão. O nosso Pai Fundador acreditava que Portugal tem uma missão especial para a Europa.

Nós portugueses sempre fomos de horizontes grandes. Tal como há 500 anos nos foi pedido ir por todo o mundo deixando a Europa nas costas, hoje é-nos pedido girar 180 graus e dirigir todas as nossas forças para a Europa.

“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena” (Fernando Pessoa). Schoenstatt dá-nos uma alma grande e a fé em que podemos ajudar Nossa Senhora a revitalizar as raízes cristãs da Europa… “Portugal Porta da Europa”, pode ser uma boa síntese da nossa missão como país!

Atrevo-me a lançar três desafios para os próximos 50 anos e se alguém ainda se lembrar deles podemos avalia-los no Jubileu dos 100 anos de Schoenstatt em 2060!

1º Desafio: vocações!

Precisamos de vocações para todos os ramos da Família: Institutos, Uniões, Ligas - militantes, cooperadores, peregrinos.

Precisamos de Sacerdotes, Senhoras de Schoenstatt, Irmãs de Maria, Unionistas, Famílias consagradas a Schoenstatt, etc.

Sem vocações que se entregam de alma e coração à Obra de Schoenstatt tudo o que construamos agora poderá ficar em ruínas.

É uma pergunta teledirigida à juventude de Schoenstatt. Cada um terá de perguntar-se: qual é o meu lugar em Schoenstatt? Qual é a minha vocação e missão de vida?

Três vezes lhe perguntou Jesus a Pedro se O amava, como lemos no evangelho! E depois disse-lhe “Apascenta as minhas ovelhas”.

Pedro era um homem frágil. A vocação não depende nem dos nossos dons nem das nossas fragilidades, mas do nosso “Sim” ao que Deus nos propõe! Cada um de nós tem que perguntar quais são as ovelhas que Cristo lhe pede apascentar: ”Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?”, “Senhor Tu sabes que Te amo”, “Apascenta as minhas ovelhas” (cfr Jo 21, 15-19).

2º Desafio: um santo português canonizado

Se não aspiramos à santidade estamos perdidos e Schoenstatt não tem sentido. Queremos implorar que muitos possam atingir o ideal da santidade no dia a dia, uma santidade silenciosa, que não sai nos jornais mas que é real e fecunda! Quando proponho um Santo schonstatteano português, canonizado em 2060, é só porque isso significa que atrás dele e com ele haverá uma legião de santos anónimos… Só assim poderemos cumprir a nossa missão … Cada um terá de perguntar-se agora: serei eu esse santo de 2060?

3º Desafio: Portugal

Dentro de 50 anos Schoenstatt deve ser uma peça chave na Igreja e na sociedade portuguesa. Sei que o nosso horizonte é a Europa toda, mas nas próximas décadas temos que “tomar o país de assalto”. Temos que ajudar Nossa Senhora a unir a Igreja portuguesa para a transformação do nosso país! Cada um deve perguntar-se: o que é que eu estou a fazer concretamente por Portugal?

Em resumo, são 3 os desafios: Vocações, 1 Santo e Portugal
“Deus quer, o homem sonha e a obra nasce” (Fernando Pessoa)

Veja a Homilia completa em PDF

Nacional | Jubileu Schoenstatt Portugal 50 anos | Homilia Padre Diogo Barata | 20-04-2010 | Portugal

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